29 de Julho de 2008

MADONNA - 25 ANOS DE CARREIRA

Publicado por admin em MInsane | Enviar por e-mail.

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Produção: Reggie Lucas / Jellybean Benitez e Mark Kamins
Data de Lançamento: 27 de Julho de 1983
Vendagem no Brasil: 150 Mil cópias
Vendagem nos EUA: 5 milhões de cópias - 5x platina
Vendagem no Mundo: 10 Milhões de cópias
Pico na Billboard: 8º lugar
Total de Semanas na Parada: 168

O álbum de estréia de Madonna, lançado em julho, poderia pertencer a qualquer um dos inúmeros artistas dance que passaram pela porta giratória da música pop em 1983. De fato, a reunião daquelas oito canções não ofereciam nem um vislumbre do espetacular estrelato que estava apenas começando, mas certamente era um forte indicativo de que os pioneiros do fenômeno Madonna, como Camille Barbone e Steve Bray, viram nela.

O produtor Reggie Lucas havia feito um nome para si na tendência musical do rythm and blues, com seu parceiro na autoria de canções James Mtume, produzindo uma série de sucessos para artistas como Roberta Flack e Donny Hathaway (”The Closer I Get To You”), Phyllis Hyman (”You Know How To Love Me”) e, a mais célebre, Ste´hanie Mills (”Watcha’ Gonna Do With My Lovin”, “Put Your Body In It” e “Never Knew Love Like This Before”).

Sob o nome da banda Mtume, Mtume e Lucas escreveram e produziram um álbum em 1980 (In Search of the Rainbow Seekers) para o selo Epic antes de seguir caminhos distintos. Quando a banda Mtume estava criando seu sucesso rythm and blues de 1983 “Juicy Fruit”, o ex-parceiro de Mtume produzia uma garota branca desconhecida que não era dona de uma voz como a de Stephanie Mills, tampouco de nenhuma outra estrela com quem havia trabalhado no passado: Madonna. Quando Madonna e Reggie Lucas começaram a trabalhar nas canções para o primeiro álbum dela, o trabalho foi frustrante. “Ela tinha seu jeito de querer fazer as coisas”, diz Lucas. “E sou capaz de entender isso. Esntão, de tempos em tempos, tínhamos de chegar num acordo.”

Madonna escrevera uma canção chamada “Lucky Star” (e mais duas outras), que, junto com a composição de Reggie, “Borderline”, parecia o alicerce perfeito para o disco. Contudo, depois de gravar as três canções, Madonna ficou descontente com a produção de Lucas. “É coisa demais”, queixou-se na época. “Muitos instrumentos, muita coisa junto acontecendo.”

“Você vai ter de me deixar fazer o que sei fazer”, Reggie lhe disse, conforme se lembraria mais tarde.

Ela fez cara de desagrado. “Mas eu tenho idéias! Tenho conceitos!”, argumentou. “Eu também estou nessa há muito tempo.”

“Sei disso”, ele falou. “Mas, Madonna, quando você traz alguém para produzir, tem de deixá-lo fazer seu trabalho.”

“Bem, só não fique no meu caminho”, ameaçou Madonna.

No dia seguinte ela pediu desculpas.

Depois de finalizar o álbum, Lucas não se mostrou interessado em refazê-lo segundo as espectativas de Madonna. Em vez disso, partiu para outro projeto rapidamente, deixando que Madonna imaginasse o que iria fazer em seguida com seu disco. Ela decidiu chamar seu namorado, o talentoso Jellybean Benitez, para remixar muitas faixar, incluindo a leve dançável “Lucky Star”. No álbum haveria ainda outra canção que Jellybean acrescentou no último minuto, “Holiday” (escrita por Curtis Hudson e Lisa Stevens, do grupo Pure Energy), produzida por ele.

“Ela estava descontente com toda aquela porcaria, então eu cheguei e tornei um monte de música mais agradável, adicionando umas guitarras em ‘Lucky Star’, algumas vozes, alguma magia”, conta Jellybean. “Uma coisa que a gente precisa saber sobre Madonna é que ela tem bons instintos. É preciso dar ouvidos a sua opinião. Eu não acho que Reggie fez isso. Juntos nós monstamos um grande álbum, e eu nem ao menos recebi créditos de co-produtor. Mas tudo bem. Eu só queria fazer o melhor trabalho que pudesse por ela. Quando tocávamos ‘Holiday’ ou ‘Lucky Star’, dava pra ver como estava emocionada pela forma como tudo soava. Dava vontade de ajudar, sabe? Ainda que pudesse ser uma filha-da-puta, quando você está na curtição do trabalho com ela era muito maneiro, muito criativo.”

A um primeiro olhar, o álbum de Madonna parecia um projeto-tampão para Reggie Lucas, o tipo de trabalho que um produtor de algum renome aceita apenas pelo dinheiro e para permanecer ocupado. Isso pareceu ser ainda mais verdadeiro quando se espalhou a notícia de que ele não queria finalizar o álbum da forma como Madonna desejava. A um olhar mais detido, no entento, ficou claro que o disco estava recheado de hits. Mesmo que as canções nunca tivessem se tornado populares, ninguém poderia negar que se tratava de canções fantásticas e bem escritas, que mereciam encontrar um público. No entanto, não seria essa a conclusão a se julgar pelo desempenho na parada do primeiro single do álbum, “Everybody”. A canção cheia de ritmo, um convite para festejar, de fato atingiu o primeiro lugar da parada dance da Billboard - um ranking determinado mais pela popularidade da canção nas danceterias do que pelo sucesso comercial -, mas definhava num 103º lugar na parada do mercado pop da revista, aquela que, como se diz no meio, “realmente conta”.

O single de doze polegadas que veio em seguida - a ardente “Burning Up” num lado e a sussurrante mas urgente “Physical Attraction” do outro - tampouco chegou às primeiras posições da parada pop da Billboard, mas ganhou outro primeiro lugar na parada dance, aparentemente definindo aquela nova cantora como apenas mais uma descartável artista dance pós-disco music.

Então veio “Holiday”

Reescrita pelos jovens mas experientes Curtis Hudson e Lisa Stevens, o contagiante e festivo hino pegou fogo quase que imediatamente, primeiro estourando as caixas nas danceterias por todo o país - naquelas em que o público já conhecia Madonna - e depois abrindo seu caminho nas paradas pop e rythm and blues. E, finalmente, a canção subiu ae 16º lugar na cobiçada parada pop da Billboard - um triunfo para uma artista iniciante.

Bem na hora em que o mercado começava a olhar para o novo sucesso, a Sire fez algumas mixagens e relançou “Borderline”. Escrita por Reggie Lucas, a canção - a mais próxima de uma balada rápida que se pode achar - era uma faixa sentimental com uma letra particularmente forte e melódica sobre um amor que nunca é totalmente consumado.

Talvez tenha sido a forma fluida e apaixonada como Madonna cantava aquela letra, que tenha mais a dizer do que “sacuda seu traseiro”, ou talvez fosse o fato de que os ouvintes estivessem familiarizados com sua voz penetrante; seja lá o que for, em “Borderline” seus vocais soavam refinados, competentes, expressivos. A combinação - uma voz sensacional, mas comovente, rodeada pela instrumentação cheia e cintilante de Lucas - tornou a faixa o mais perto possível que se podia chegar de um antigo sucesso da Motown em plenos anos 80, movidos a dance music.

Sem dúvida, “Borderline” junto com “Holiday” foram duas das mais importantes gravações nos anos de formação de Madonna, e não simplismente porque chegaram respectivamente ao 16º e 10º lugares nas paradas pop. Na verdade, as canções foram fundamentais porque, musicalmente, supriam Madonna com duas plataformas distintas dentro da estrutura da dance music. Mais importante, abriram caminho para que a dançável “Lucky Star”, tão elaborada em sua simplicidade, quarto single do álbum Madonna, deslizasse para a quarta posição.

Mais tarde, Madonna foi co-autora de cinco das oito canções do disco, iria se referir a esse seu primeiro esforço como um “álbum de aeróbica”, mas as canções estavam em perfeita sintonia com a época. A despeito de um começo lento, o álbum acabaria subindo nas paradas e, um ano depois de ser lançado, finalmente encontrou seu lugar entre as Top 10. Depois chegaria aos 4 milhões de cópias vendidas nos Estados Unidos e 8 milhões no mundo.

Pouco após o álbum chegar às top 10, Madonna e Erica Bell brindaram o novo sucesso com uma garrafa de champagne. Anos mais tarde Erica iria se lembrar dessa conversa como se houvesse ocorrido apenas alguns dias antes.

Parecendo positiva, Madonna disse: “Me sinto mal sobre algumas pessoas que não estão comigo, pessoas que conheci ao longo do caminho”.

“Você quer dizer como Camille?”, perguntou Erica.

“É, como ela e os outros.”

“Bem, esse negócio é duro”, observou Érica. “São pessoas que estão em torno de você no momento do sucesso que podem comemorar junto… não as pessoas que você encontrou ao longo do caminho”.

Madonna concordou: “Acho que sim”, disse tilintando seu copo contra o de Erica. “De qualquer forma, ser sentimental é sinal de fraqueza, você não acha?”

Erica não respondeu.

“As pessoas me odeiam”, observou Madonna.

“Sei que é verdade”, disse Erica.

“Ora bolas”, disse Madonna, encolhendo os ombros. “Fiz o que tinha de fazer. Pelo menos ainda tenho você.”

“Tem mesmo”, concluiu Erica, abraçando a amiga.

Provavelmente o mais perfeito senso de oportunidade da carreira de Madonna estava no modo quase mágico com que seu trabalho coincidiu com a crescente popularidade do videoclipe. Os jovens da época pareciam ávidos de ídolos. Nos anos 70, a era disco engendrara inúmeros sucessos mas poucos artistas memoráveis. Diversos artistas da música no começo da década seguinte, contudo, ganhariam popularidade exibindo suas imagens sem igual para o público da televisão por meio de videoclipes: Cindy Lauper com seu chocante cabelo cor-de-laranja, sua maquiagem maluca e suas roupas baratas; Boy George com seus olhos pesadamente delineados e guarda-roupas feminino; Prince com seu sex appeal andrógino e babados em “Purple Rain”. Todos os três, e tantos outros, incluindo Michael Jackson - que de fato foi um dos pioneiros da nova mídia e até ajudou a expandi-la com seu longo videoclipe para “Thriller” - se beneficiaram desses estelares veículos de três minutos que lhes permitiam brilhar.

Mas ninguém aprtoveitou melhor o novo formato, nem obteve um efeito maior, do que Madonna. Tomando emprestada a liberdade da sofisticada cena de rua do downtown nova-iorquino, dos cluber noturnos e de ícones como Marilyn Monroe, ela adicionou uma pitada de seu próprio estilo sexy e despojado para compor uma imagem inicial que fosse simplismente inesquecível. Mesmo com o som adolescente de seu primeiro álbum, sua aparencia suscitou uma ampla controvérsia, uma vez que ela misturava sexualidade e religião, camisas abertas até o umbigo e rosários. Muita gente achava o uso de crucifixos um sacrilégio, mas o símbolo religioso tornou-se parte integrante da moda lançada por Madonna. […] É claro que Madonna adorava a indignação que causava nas puritanas. Era o que queria, pra isso trabalhava… e o que descobriu faria dela uma sensação pop tanto quanto qualquer música que jamais viesse gravar. Ela acreditava que quanto mais a imprensa rotulasse seu estilo de “ordinário”, mais alto se elevariam as objeções vociferantes dos pais a seu visual - que por sua vez apenas encorajaria crianças rebeldes a imitá-la. Jovens, que logo que logo seriam apelidadas de “wannabes” pela imprensa (como em “wanna be Madonna, quero ser Madonna), passaram a usar brincos de crucifixos e luvas sem dedos. Começaram a amarrar lenços e meias de náilos no cabelo desalinhado - mais uma vez, tudo introduzido na cultura popular por Madonna em seus videoclipes. Seu sucesso com toda certeza validou os estratagemas de chamar a atenção formulados por ela quando criança: fazer alguma coisa para chocar as pessoas e, se fosse bastante escandalosa, mantê-las falando daquilo. Tanto fazia o que estavam dizendo, contando que falassem sobre ela.

A imagem projetada por Madonna era egoísta, vulgar e sexualizada. Mais do que tudo, a impressão que passava com sua imagem e atitude tinha a ver com o apetite pela fama e a notoriedade. Não era algo postiço ou arquitetado, com certeza. Era inato - ela simplesmente juntava as roupas, dizia, pegando o que tivesse no armário ou qualquer peça barata que encontrasse em brechós - e muito conveniente também.

“Acha que minha mãe teria orgulho de mim?”, perguntou a Jellybean Benitez depois do lançamento de seu primeiro álbum.

“Meus Deus, Madonna, é claro que sim.”, ele se lembra de ter respondido. “Veja o que conseguiu, o que fez. Qualquer mãe ficaria orgulhosa.”

Madonna sorriu: “E meu pai?”.

“Claro”, disse Jellybean. “Tony está feliz, você sabe disso.”

“É, bem”, concluiu Madonna, “não que faça diferença.”

Juninho Barim para o Insanno
FONTE: Madonna - Uma Biografia Íntima (Taraborrelli, J. Randy), MInsane

4 respostas

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  1. Ricardo Cazelato disse,
    29 de Julho de 2008 @ 21:43

    :razz: Parabéns pelo texto mais uma vez você escreveu um texto com sabedoria e carinho sobre Madonna .Um abraço Ricardo Cazelato

  2. thuane disse,
    5 de Agosto de 2008 @ 09:23

    estava lindo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  3. Willy disse,
    24 de Novembro de 2008 @ 21:51

    Tomare que lance uma ediçao comemorativa ! :grin:

  4. erick madonna disse,
    4 de Julho de 2009 @ 17:52

    :smile: super firme vcs sao d mais mesmo e a cada ano madonna nos surpreende mais viva a rainha e obs e e mail e do meu orkut

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